Não se trata de governar olhando para a população, por prioridades ou por urgência. Se a cidade paulista votou no PT, recebe mais verba federal e menos verba estadual. E vice-versa. É a lógica eleitoreira da política tradicional, sempre de olho na próxima eleição. É o que mostra reportagem do Estadão.
A análise dos convênios assinados por municípios paulistas nos últimos três anos revela um padrão: se o prefeito for petista, suas chances de receber recursos do governo federal são muito maiores do que se for tucano. E o inverso ocorre quando se trata do governo estadual. O viés partidário na distribuição dos recursos fica evidente ao se tomar como universo as dez maiores cidades de São Paulo administradas pelo PT e as dez maiores geridas pelo PSDB. Em média, cada eleitor das 'cidades petistas' foi contemplado com R$ 57 de convênios do governo federal desde 2009. Esse valor é 415% superior à média recebida pelos eleitores de 'cidades tucanas' (R$ 11).
Os repasses de convênios estaduais para as mesmas cidades, por sua vez, apontam favorecimento para os prefeitos do PSDB, que receberam, em média, R$ 106 por eleitor - 282% a mais que seus colegas do PT.
Sempre tomando como base as mesmas 20 cidades, prefeituras do PSDB ocupam nada menos que os sete primeiros lugares do ranking de distribuição de verbas estaduais por eleitor (veja quadro). E municípios governados pelo PT aparecem nas três primeiras posições da lista dos maiores beneficiados por recursos federais.
As 20 cidades avaliadas pelo Estado concentram 19% dos eleitores de São Paulo e estão entre os principais palcos da batalha eleitoral que será travada em 2012. Como nas últimas corridas presidenciais, a eleição municipal tende a deixar em polos opostos PT e PSDB - o primeiro ocupa a Presidência da República desde 2003, o segundo comanda o governo paulista desde 1994. Tanto no Palácio do Planalto como no Palácio dos Bandeirantes, o discurso oficial é o de que as gestões são 'republicanas'. Os dois governos negam que a coloração partidária dos prefeitos tenha peso na destinação dos recursos para os municípios (leia texto abaixo). Para o cientista político Carlos Pereira, porém, a utilização de critérios partidários no rateio de recursos públicos é corriqueira e deveria ser admitida publicamente pelos governantes.

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