Geraldo Alckmin, que flerta com Paulinho da Força Sindical(PDT) em São Paulo, não deu opinião sobre o fato. Ontem cinco centrais sindicais publicaram, sob a liderança do deputado pedetista, uma nota de apoio ao ministro do Trabalho. Justamente as centrais sindicais que vem sendo cortejadas pelos tucanos.
A cúpula tucana defendeu ontem, no Rio, a saída do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Antes de participar de um seminário do partido no Leblon, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, afirmou que "todos os denunciados devem sair". O ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente do Instituto Teotônio Vilela, órgão de formação política dos tucanos, também pediu o afastamento de Lupi. Como O GLOBO publicou no domingo, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal encontraram no ministério indícios de fraudes em convênios com ONGs, iguais às que causaram a saída dos ex-ministros Orlando Silva (Esporte) e Pedro Novais (Turismo).
- Acho que todos que não esclareceram e que não sejam capazes de produzir transparência devem sair do governo. Também não pode ser o ministério do PDT. Todos que forem denunciados devem sair, com lógica e sentido, como Itamar fez no passado. Ele pediu ao ministro dele que fosse para casa até que a denúncia fosse avaliada - disse Guerra, referindo-se ao ex-presidente Itamar Franco.
O senador Aécio Neves (MG) disse que o governo Dilma Rousseff só pune malfeitos quando eles viram escândalos: - O governo é refém de um aparelhamento absurdo que sempre montou na máquina pública e está imobilizado pela pressão da base. O malfeito para este governo só é malfeito quando vira escândalo. Antes disso, está bem feito - disse. - O que lamento é que este governo é reativo. Não é através da Controladoria-Geral, de auditorias internas, que essas depurações estão ocorrendo. Quando há uma denúncia, o governo corre atrás, mas o governo parece preferir que não haja denúncias.
Para o senador Álvaro Dias (PR), Dilma perdeu a oportunidade de acabar com o modelo de favorecimento de partidos da base aliada: - Esse modelo é uma fábrica de escândalos. Cada ministério se apropria de seu lote, como as capitanias hereditárias. Além de defender a saída de Lupi, Tasso disse que os últimos escândalos no governo se tornaram uma "rotina perversa": - Se não houver uma intervenção no sistema atual, isso (escândalos) vai continuar acontecendo até o fim do governo. Não tem aquele filme "007 - Permissão para Matar"? Agora é "007 - Permissão para roubar".
Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a situação no Ministério do Trabalho não o surpreende:- Não me surpreende. A máquina está montada. Espero que a Dilma continue limpando. Toda a política (do PT) está montada para esse tipo de jogo, de favorecimento. É uma pena. Tem que mudar.(O Globo)

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