Irregularidades no Ministério da Agricultura durante a gestão do ex-ministro Wagner Rossi podem ter causado prejuízos de quase R$ 230 milhões, segundo relatório da CGU (Controladoria Geral da União), órgão de controle do próprio governo federal. O relatório, feito a pedido da presidente Dilma Rousseff, confirma suspeitas levantadas pela imprensa e que levaram Rossi a pedir exoneração do cargo em agosto.No documento, a CGU afirmou que a cúpula do ministério, conforme a Folha revelou, forjou documentos de uma concorrência na área de treinamento para beneficiar a Fundasp, ligada à PUC-SP. A contratação foi definida pela CGU como fraude feita com "montagem processual" e "pesquisa de preços eivada de vício". O prejuízo estimado foi de R$ 1,1 milhão.
A Fundasp recebeu R$ 5 milhões pelo convênio de treinamento. Segundo a CGU, parte dos serviços eram desnecessários e não foram realizados, o que gerou o prejuízo. O contrato foi intermediado pelo lobista Julio Fróes. Segundo a CGU, Fróes prestava serviços à Fundasp, e a filha dele é funcionária de uma empresa terceirizada do ministério. O relatório recomenda a suspensão dos cursos contratados pela pasta. A CGU também apontou irregularidades no repasse de recursos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), subordinada ao ministério, para compra de grãos de pequenos produtores a empresas criadas em nome de laranjas. Elas teriam pagado menos do que deveriam aos produtores.
O grupo que controla a Commerce Comércio de Grãos, que reportagem da Folha mostrou estar em nome de laranjas, recebeu mais de R$ 35 milhões. O prejuízo gerado, junto de outras empresas acusadas de cometerem as mesmas irregularidades, pode chegar a R$ 228 milhões. A CGU determinou abertura de procedimento administrativo para apurar os responsáveis por cada ato irregular. Em nota, o Ministério da Agricultura informou ter recebido o relatório da CGU. Segundo a pasta, as conclusões serão analisadas e, num prazo de dez dias, serão definidos "encaminhamentos". A Folha entrou em contato com a Commerce, mas foi informada que os responsáveis não poderiam falar.(Da Folha de São Paulo)

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